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Publicado em 1937, pouco depois de implantado o Estado Novo, este livro teve a primeira edição apreendida e exemplares queimados em praça pública de Salvador por autoridades da ditadura. Em 1940, marcou época na vida literária brasileira, com nova edição, e a partir daí, sucederam-se as edições nacionais e em idiomas estrangeiros. A obra teve também adaptações para o rádio, teatro e cinema. Documento sobre a vida dos meninos abandonados nas ruas de Salvador, Jorge Amado a descreve em páginas carregadas de beleza, dramaticidade e lirismo.




É difícil escrever uma resenha sobre Capitães da Areia. E, ainda assim, sinto como se fosse uma obrigação. É um livro atemporal, que retrata dramas e conflitos presentes na sociedade até hoje, e essa deveria ser uma das maiores infelicidades humanas.

Capitães da Areia conta a história de meninos que vivem nas ruas da Bahia à base do furto, do roubo, da malandragem, mas principalmente da liberdade que as ruas oferecem. São meninos, os mais velhos com cerca de 15 anos, no entanto, são meninos apenas no tamanho, pois a vida os forçou a serem homens, a vida lhes tirou a inocência que deve ser característica da infância.
Cada um desses meninos tem seu inferno particular, seu sofrimento privado que, ao mesmo tempo que lhes corrói, lhes dá força para seguir em frente. O que é mais triste é perceber que, em muitos casos, a fonte dessa força é o ódio, o desgosto, a amargura que carregam no âmago dos seus seres por causa do descaso que sofrem. A narrativa de Jorge Amado, que dormiu com os meninos no trapiche, permite-nos sentir empatia para com eles, sentir tudo de ruim que borbulha no interior desses meninos, que os faz levar a vida do jeito que aprenderam, porque não tiveram quem os ensinasse o que era certo e o errado, e porque não têm outro meio de conseguir sobreviver.
"Sua vida era uma vida desgraçada de menino abandonado e por isso tinha que ser uma vida de pecado, de furtos quase diários, das mentiras nas portas das casas ricas. (...) [Mas] eles não tinham culpa. A culpa era da vida…"
Esse livro está, com certeza, entre os melhores livros que eu já li. O retrato cru que faz da realidade é de tamanha grandeza que leva a uma reflexão acerca de atitudes e hábitos tão presentes na sociedade até hoje, do conflito rico x pobre, e se tem um clássico nacional que deveria ser lido, com certeza é esse. Não tem uma escrita rebuscada e complicada, a narrativa é simples e a leitura flui com extrema facilidade.
"O Sem-Pernas botou o motor [do carrossel] para trabalhar. E eles esqueceram que não eram iguais às demais crianças, esqueceram que não tinham lar, nem pai, nem mãe, que viviam de furto como homens, que eram temidos na cidade como ladrões. (...) Esqueceram tudo e foram iguais a todas as crianças, cavalgando os ginetes do carrossel, girando com as luzes."






PS: Bom gente, quero só reforçar o que a Letty disse no post sobre o 3º mês da Maratona Literária, eu agora vou ficar bem ausente aqui no blog. É meu ano de vestibular e eu to estudando bastante, por isso que quase não to conseguindo vir aqui. Mas sempre que encontrar uma brecha vou trazer resenhas pra vocês, dicas, enfim, o que eu conseguir :) É por uma  boa causa essa minha ausência né, haha. Enfim, é só isso mesmo, espero que tenham gostado da resenha porque eu amei esse livro! Beijos.

5 comentários:

  1. Olá Gabi, já comecei a ler esse livro uma vez, porém não conseguir terminar, depois de ler sua resenha fiquei com muita vontade de conhecer mais dos personagens. Adorei.

    Parabéns pelo blog.

    Beijos

    Dani Cruz

    blog-emcomum.blogspot.com.br

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    1. Oi Dani! Fico feliz que minha resenha tenha feito você ficar com vontade de conhecer mais sobre o livro :) Caso volte a lê-lo um dia, não esqueça de me dizer o que achou! Beijos.

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  2. Gostei da resenha, já tinha ouvido falar desse livro. Adoro Jorge Amado, um grande escritor!

    bjos,
    http://contos-de-duas-doidas.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada! Capitães da Areia foi o primeiro livro do Jorge Amado que li, mas depois desse, com certeza vou procurar conhecer outros, tenho certeza que são tão bons quanto! Beijos.

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  3. Gabi, parabéns por resenhar um livro tão tradicional na nossa literatura, foi com muita coragem, mas também muito talento que você o fez.
    E boa sorte no vestibular! Tomara que você chegue aonde espera!
    Abraços!

    http://spaziodilibri.blogspot.com.br/

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